A ofensiva do governo Trump contra o Pix, intensificada na véspera das eleições brasileiras de 2026,
A ofensiva do governo Trump contra o Pix, intensificada na véspera das eleições brasileiras de 2026,
02 Apr
02Apr
A ofensiva do governo Trump contra o Pix, intensificada na véspera das eleições brasileiras de 2026, é interpretada por analistas e pelo próprio governo brasileiro como uma tentativa de proteger os interesses das gigantes financeiras dos EUA — Visa e Mastercard — e, ao mesmo tempo, favorecer a oposição bolsonarista .
Os ataques de Trump ao Pix são reais e se intensificaram
Em 1º de abril de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou o Relatório de Estimativa do Comércio Nacional, no qual critica formalmente o Pix .
O documento afirma que o Pix é prejudicial a fornecedores americanos de serviços de pagamento eletrônico, pois o Banco Central do Brasil atua simultaneamente como operador e regulador, conferindo um "tratamento preferencial" ao sistema público em detrimento de empresas privadas dos EUA
.Não é a primeira vez: em julho de 2025, o governo Trump já havia aberto uma investigação comercial contra o Brasil citando o Pix como "prática desleal" .
Em março de 2026, a tensão escalou com a nomeação de Darren Beattie — aliado de Trump com histórico de declarações de supremacia branca — como enviado especial para o Brasil, visto como um movimento para interferir nas eleições brasileiras .
2. O interesse econômico: proteger Visa e Mastercard
Analistas econômicos são claros: o real motivo dos ataques é a perda de receita das gigantes americanas de cartões de crédito .
A Visa já reportou queda mês a mês no volume de pagamentos com cartões de débito desde fevereiro de 2024 . A Mastercard enfrenta o mesmo problema.
Ambas tentam competir com sistemas de pagamento instantâneo, mas o Pix é gratuito e mais ágil .O lançamento do "Pix parcelado" (previsto para setembro de 2025) agravará ainda mais a situação, permitindo compras a prazo com juros muito menores que os dos cartões de crédito — que no Brasil podem chegar a 450% ao ano .
3. A conexão eleitoral: aliança com o bolsonarismo
Os ataques ao Pix coincidem com a aproximação das eleições presidenciais brasileiras de outubro de 2026, nas quais Lula disputa a reeleição contra Flávio Bolsonaro (PL) .O governo brasileiro vê interferência direta de Trump no processo eleitoral :
Eduardo e Flávio Bolsonaro têm se reunido com aliados de Trump desde fevereiro de 2026
O enviado Darren Beattie tentou visitar Jair Bolsonaro na prisão — o que foi barrado pelo STF
Há planos de classificar facções criminosas brasileiras (PCC e Comando Vermelho) como organizações terroristas, o que poderia ser usado para aplicar sanções econômicas ao Brasil e até mesmo afetar o Pix
O próprio ministro da Secom, Sidônio Palmeira, foi captado orientando Lula a "não esquecer de falar do Pix" em evento na Bahia em 2 de abril de 2026, mostrando como o tema se tornou central na campanha .
4. A resposta do governo Lula e do Banco Central
Lula respondeu diretamente: "O Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix".O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, rebateu as "falsas narrativas" americanas, destacando que os cartões de crédito cresceram mais após o Pix do que antes, eliminando a tese de que um "canibaliza" o outro .Além disso, grandes empresas de tecnologia que atuam no Brasil — Apple, Meta, Google, Amazon (AWS), Dell e Visa — saíram em defesa do Pix, classificando-o como "tecnologia disruptiva" e destacando que o sistema financeiro brasileiro é "um dos mais desenvolvidos do mundo" .
Conclusão
A afirmação de que Trump ataca o Pix para proteger gigantes financeiras dos EUA é factual e documentada. A ofensiva:
Tem motivação econômica clara: Visa e Mastercard perderam participação de mercado e receitas no Brasil desde a criação do Pix
Ganhou contornos eleitorais: coincide com a corrida presidencial brasileira e envolve alianças com o bolsonarismo
Faz parte de uma estratégia mais ampla: inclui ameaça de sanções, classificação de facções como terroristas e nomeação de enviado controverso
O governo brasileiro, respaldado pelo BC e por grandes empresas de tecnologia, resiste à pressão e transformou a defesa do Pix em bandeira de soberania nacional — uma estratégia que, segundo pesquisas, já tem apoio de 64% da população.