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02 Mar
02Mar

Conflito entre Rússia e Ucrânia pode gerar escassez de trigo no mundo

Os dois países exportam cerca de 30% do trigo, 19% do milho e 80% do óleo de girassol consumido globalmente


  1. O conflito entre  também movimentou o mercado global de commodities. A Rússia é o maior exportador de trigo do mundo e a Ucrânia ocupa a quarta posição. Juntas, são responsáveis pelas exportações de 30% do trigo global, 19% do milho e 80% do óleo de girassol. 

  2. Somente em 2021, segundo a os russos produziram 88,9 milhões de toneladas de trigo, ficando atrás somente da União Europeia,

  3.  China e Índia. Enquanto a Ucrânia foi o quinto maior produtor de trigo em 2021 com 29 milhões de toneladas.Na última terça-feira (1º), o valor mais alto dos últimos 14 anos. Os contratos com entrega em maio do trigo  tiveram elevação de 5,35% e estão cotados a US$ 9,84 (cerca de R$ 54) por bushel, que armazena entre 25 e 27kg. O milho teve alta de 5,06% e foi para US$ 7,25 (cerca de R$40), enquanto a soja subiu 2,55% e tem preço de US$ 16,78 (R$ 92) por bushel.Os preços dos cereais já desde o ano passado por uma série de fatores: pandemia, aumento da demanda de bens, crise energética na Europa e aspectos climáticos.O aumento de preços se deve à incerteza sobre a duração do conflito e a possibilidade de abastecimento do mercado. O período de plantio da safra de verão do trigo inicia neste mês de março, enquanto a colheita está prevista para julho. 

  4. "Tudo vai depender do tempo que esse conflito vai se estender. A Rússia teoricamente terá a capacidade produtiva mantida, mas a Ucrânia corre o risco de não poder produzir e isso não vai beneficiar ninguém", analisa, em entrevista ao

  5. Se por um lado a guerra pode impedir a Ucrânia de plantar sua safra de trigo, as sanções impostas pelos Estados Unidos e União Europeia também podem impedir a Rússia de escoar sua produção.

  6. "A Rússia vai enfrentar problemas até porque as duas maiores empresas de containers já suspenderam suas atividades no país, então há grande possibilidade de que a Rússia fique com trigo estocado e não consiga vender", observa o economista.

    Meio Oriente pode ser a região mais afetada pela possível escassez do cereral; cerca de 85% do trigo consumido no Egito provem da Rússia e da Ucrânia / Khaled Desouki /AFPComo retaliação à invasão da Ucrânia, a , plataforma de mensagens que conecta cerca de 70% das instituições financeiras em todo o planeta. "As sanções existem, mas também existe uma série de maneiras de triangular através de países não sancionados. E nessa triangulação o comprador paga mais barato, porque o país sancionado oferece seu produto com um bom desconto", comenta Francisco Pessoa 

  7. As regiões mais vulneráveis à possível escassez de cereais são Ásia Central, Oriente Médio e Norte da África.

  8.  A Armênia, Mongólia, o Cazaquistão e o Azerbaijão abastecem praticamente toda a demanda nacional com o trigo vindo da Rússia. 

  9. O Paquistão compra 47% da Ucrânia e 41% da Rússia, enquanto o Líbano compra 81%  do consumo nacional de trigo da Ucrânia e 15% dos russos. 

  10. O Egito compra 60% do trigo que consome da Rússia e 25% da Ucrânia, a Turquia tem uma proporção similar: 66% das importações de trigo vem da Rússia e 10% da Ucrânia. Os dados são do balanço de 2020 da FAO."

  11. O que vemos é que as sanções não são suficientes para mudar regimes.

  12.  Elas geram sofrimento para a população local e não a mudança de regime.

  13.  O grande risco, pelo trigo ser um produto tão essencial na alimentação de muitos países, é o problema da fome", comenta Pessoa.E o Brasil, que importa entre 6 a 7 milhões de toneladas de trigo por ano, o que corresponde a 50% do consumo nacional, também poderia ser afetado pela situação na Ucrânia com um aumento de preços em produtos básicos da mesa do consumidor.

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