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27 Jan
A CRISE NA SÍRIA E COMO ELES FORAM ENGANADOS PELO OS EUA

1. O que é a crise na Síria?

A guerra na Síria começou em 2011 como parte das chamadas “primaveras árabes”, evoluindo para um conflito complexo envolvendo:
  • O governo de Bashar al-Assad (com apoio da Rússia e Irã);
  • Forças rebeldes diversas (incluindo grupos islâmicos);
  • ISIS (Estado Islâmico);
  • A população curda buscando autonomia no norte;
  • Intervenções estrangeiras, incluindo as dos Estados Unidos, Turquia e outros países.
Ao longo de mais de uma década, esses atores lutaram por controle territorial, poder político e influência estratégica no Oriente Médio.

 2. Quem são os curdos?

Os curdos são:
  • Um grupo étnico com cerca de 30–40 milhões de pessoas espalhados por quatro países: Turquia, Síria, Iraque e Irã;
  • Uma das maiores nações sem um Estado reconhecido internacionalmente;
  • Organizados em milícias e administrações próprias em regiões de norte e nordeste da Síria, especialmente sob a liderança das Forças Democráticas da Síria (SDF) e das Unidades de Proteção do Povo (YPG).
Durante a guerra civil, os curdos administraram um território autônomo conhecido como Rojava (ou Administração Autônoma do Nordeste da Síria), com esforços próprios de governança e segurança.

 3. Aliança entre curdos e Estados Unidos

Durante a luta contra o Estado Islâmico (ISIS), os curdos se tornaram aliados cruciais dos EUA:
  • As SDF/YPG receberam apoio militar, treinamento e inteligência dos americanos;
  • Eles lideraram batalhas decisivas para derrotar o ISIS e perderam milhares de combatentes nessa luta;
  • Por anos, a presença militar dos EUA no nordeste sírio funcionou como um deterrente contra ofensivas da Turquia e do governo sírio.
Essa cooperação era vista por muitos curdos como um compromisso de proteção e parceria contínua.

 4. Por que os curdos se sentem traídos pelos EUA?

Vários fatores contribuíram para esse sentimento de traição:

 a) Mudança nas prioridades dos EUA

Com a queda do regime de Assad em 2024 e mudanças estratégicas, os EUA passaram a ver o novo governo sírio sob Ahmed al-Sharaa como parceiro mais útil para unificar o país— diminuindo o apoio direto às forças curdas.

 b) O fim do papel das SDF

Um enviado dos EUA declarou que o papel das SDF como principal aliada contra o terrorismo havia “expirado”, sinalizando que Washington não mais sustentaria militarmente as forças curdas.

 c) Acordos de integração desfavoráveis

Os curdos, sob pressão militar e isolados, aceitaram um acordo de cessar-fogo com Damasco querequer que suas forças sejam integradas ao Exército sírio e percam o controle autônomo de vastos territórios — algo que muitos veem como um resultado direto da retirada de apoio americano.

 d) História repetida de abandono

Este não é um caso isolado: muitos curdos lembram que os EUA já retiraram apoio em momentos críticos no passado (por exemplo, retirada em 2019 que abriu espaço para ofensiva turca) e sempre priorizam interesses geopolíticos ao invés das aspirações curdas.

 A sensação geral

Muitos curdos disseram que, apesar de terem combatido e dado milhares de vidas na luta contra o ISIS, foram deixados “sozinhos” quando mais precisavam de apoio. Isso alimenta o sentimento de que a aliança com os EUA foi tática e transitória, não baseada em confiança permanente.

 5. O que isso significa para o futuro?

  • A administração curda agora depende de negociações com o governo sírio e outras potências regionais (Turquia, Irã, Rússia), muitas vezes com pouca margem de autonomia real.
  • O papel e a segurança dos curdos continuam em risco devido a pressões militares, políticas e demográficas regionais.

 Resumo

Os curdos foram aliados-chave dos EUA contra o Estado Islâmico.
 Com o fim daquela fase do conflito e mudanças estratégicas, Washington mudou de foco e diminuiu o apoio direto.
Isso deixou os curdos mais vulneráveis, alimentando um forte sentimento de abandono e traição.

Impacto na Turquia

A Turquia vê qualquer avanço curdo como ameaça existencial.
  • Ancara considera o YPG/SDF uma extensão do PKK, organização curda que o Estado turco classifica como terrorista.
  • Quando os EUA recuam da Síria, a Turquia ganha sinal verde implícito para:
    • Intensificar bombardeios no norte da Síria
    • Pressionar politicamente e militarmente áreas curdas
  • Para os curdos, fica claro que:

Resultado: mais repressão interna, menos espaço político e risco constante de operações militares.

Impacto no Iraque

No Iraque, a situação é mais ambígua, mas igualmente frágil.
  • O Curdistão iraquiano tem autonomia formal desde os anos 1990.
  • Porém:
    • Depende económicamente de Bagdá
    • Sofre divisões internas (KDP x PUK)
  • O abandono dos curdos sírios:
    • Enfraquece a posição curda como um todo
    • Reduz a capacidade de barganha frente ao governo central
  • Além disso:
    • A Turquia realiza operações militares frequentes no norte do Iraque, muitas vezes sem reação dos EUA.
Mensagem recebida pelos curdos iraquianos:
. O padrão histórico (o ponto central)
O sentimento curdo não nasce agora. Ele se baseia em um padrão repetido:
  • EUA usam os curdos quando:
    • Precisam de força terrestre
    • Querem derrotar um inimigo comum (ISIS, Saddam, Assad)
  • Abandonam quando:
    • O custo diplomático sobe
    • Um aliado estatal “mais importante” reclama
Entre curdos existe um ditado famoso:
“Os curdos não têm amigos além das montanhas.”
A crise atual na Síria só confirma essa memória coletiva.

 Em resumo direto

  • Síria: perda de autonomia e integração forçada a Damasco
  • Turquia: aumento da repressão e ofensivas militares
  • Iraque: enfraquecimento político e mais pressão externa
  • EUA: vistos como parceiro tático, não confiável no longo prazo,,,

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