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05 Aug

para entender melhor o papel da polarização política em uma democracia, os impactos nas instituições e como a polarização pode determinar as eleições de 2022.A polarização política é a grande tensão social no Brasil, levantamento Guerras Culturais, da empresa Ipsos. A cada dez brasileiros, oito dizem acreditar que há tensão elevada entre pessoas que defendem bandeiras partidárias diferentes no país.

"Os resultados trazem uma importante contribuição ao debate que se estabelece no Brasil neste momento, em que a polarização política, que tem se espraiado para todos os setores da nossa sociedade, atinge contornos críticos e sem perspectivas de arrefecimento", Helio Gastaldi, diretor de segmento de opinião pública da Ipsos.

Para entender melhor o papel da polarização política em uma democracia, os impactos que ela pode ter no e como a polarização pode determinar as eleições de 2022, a Sputnik Brasil conversou com o cientista político André Luis Coelho, professor adjunto da Escola de Ciência Política (ECP) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).© FOLHAPRESS / MARX VASCONCELOS /FUTURA PRESSProtesto a favor do presidente Jair Bolsonaro e voto impresso, realizado na cidade de Belém, Pará, em 1º de agosto

Polarização é natural e desejável

Segundo a pesquisa da Ipsos, 83% da população brasileira diz acreditar que há muito conflito entre apoiadores de diferentes partidos. A média global é de 69%. André Luis Coelho explica que, a princípio, a polarização política é natural, desejável e boa.

"Não tem como pensar em política sem pensar em polarização política [...]. A política existe para diminuir ou evitar o [...] a política tenta resolver esses conflitos que no passado geravam guerras e mortes de maneira pacífica. Então a polarização é natural e desejável. O problema é quando ela ultrapassa os limites do desejável", afirma.

O cientista político destaca que o problema é quando a polarização atinge um nível em que ambos os lados não se suportam, em que ambos os lados não querem mais conviver com o outro. Ou quando efetivamente alguma das instituições políticas, ou seja, o Judiciário, o Legislativo ou o Executivo, ultrapassa seus limites e acaba ampliando a polarização ou usando da polarização para ser majoritário em relação a outros poderes.

"A polarização acontece de maneiras distintas. Ela pode ser dada em termos religiosos, étnicos, a posição em relações a migrantes e não migrantes, entre direita e esquerda. A ideologia é muito importante. A polarização pode ocorrer também de maneira muito simples entre quem faz parte do governo e quem faz parte da posição."

Enfraquecimento das instituições

Em 2014, após perder a eleição para presidente para o PT, o PSDB pediu à Justiça Eleitoral uma auditoria no resultado do segundo turno. Na ocasião, o tucano Aécio Neves perdeu para a presidente Dilma Rousseff por uma diferença de 3,459 milhões de votos, na disputa mais apertada da história.© AP PHOTO / ERALDO PERESAécio Neves durante uma sessão no Senado sobre impeachment de Dilma Rousseff (foto de arquivo)André Luis Coelho enxerga essa situação como o momento em que começa o enfraquecimento das instituições brasileiras.

"Quando o Aécio Neves e se nega a aceitar os resultados, ele questiona a apuração. Esse processo é muito importante para entender o contexto de Bolsonaro questionando a apuração das eleições do Brasil", garante.

Este ano, após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ter afirmado diversas vezes, sem apresentar provas, que as eleições de 2014 e de 2018 , o agora deputado federal Aécio Neves disse não haver indícios de fraude nas eleições presidenciais de 2014: "Não tenho nenhum indício que aponte para fraudes naquela eleição".O professor da UNIRIO frisa que é importante que as instituições deixem claro que todos têm que jogar dentro das regras, caso contrário a polarização só vai aumentar.

"Até 2014, os perdedores aceitavam o resultado das eleições. E tudo ocorria, salvo raríssimas exceções isoladas, dentro das instituições, dos marcos legais. O problema é quando um dos lados claramente não quer jogar dentro das instituições, ele diz que não aceita a derrota e que só Deus pode tirar ele da presidência. Não dá para jogar nas mesmas regras, com um adversário que não aceita as regras. Este é o ponto principal [...]. Se meu adversário está jogando fora das regras, qual é o incentivo que eu tenho para jogar dentro das regras?", questiona.

Outro ponto que André Luis Coelho destaca é que e extremistas ganharam espaço com as redes sociais e eles são um perigo para a democracia.

"[É preocupante] quando grupos extremistas, tanto de esquerda quanto de direita, que questionam a democracia, que questionam o bom senso, acabam tendo reverberação dentro do Executivo ou junto a parlamentares. Você tem a destruição por dentro do próprio sistema. Utilizando as redes sociais para minar as instituições", comenta.

Por isso, o cientista político defende que é necessário algum controle e regulação no uso da tecnologia.

"As redes sociais têm que ter algum controle sim, e efetivamente tem que derrubar perfil falso, discurso de ódio, seja ele de qualquer autoridade constituída ou não, esses discursos devem ser encerrados nas redes sociais porque esses discursos acabam se retroalimentando [...]. É muito fácil você chegar nas redes sociais e falar que odeia, mas na vida real você não faria isso. Temos comportamentos mais radicais que a gente não via antes das redes sociais."
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