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28 Mar
DEPOLITIZADO E SUBSERVIENTE FLÁVIO BOLSONARO QUER IMPOR A DOUTRINA MONROE

O que é a Doutrina Donroe?A Doutrina Monroe (o nome correto é Monroe, não Donroe) foi uma política externa dos Estados Unidos enunciada em 1823 pelo Presidente James Monroe

.Seus princípios principais eram:

  1. "A América para os americanos": A doutrina declarava que as Américas (Norte e Sul) não estavam mais abertas à colonização ou interferência por parte das potências europeias.

  2. Não-intervenção: Qualquer tentativa de uma nação europeia de oprimir ou controlar qualquer nação no hemisfério ocidental seria vista como um ato de agressão contra os Estados Unidos.

  3. Reciprocidade: Em troca, os Estados Unidos prometiam não se envolver nos assuntos internos da Europa ou em guerras entre potências europeias.

Contexto Histórico:

A doutrina surgiu em um momento em que as antigas colônias espanholas na América Latina estavam conquistando sua independência.

 Os Estados Unidos temiam que a Santa Aliança (Rússia, Prússia, Áustria) tentasse ajudar a Espanha a retomar o controle desses territórios.Evolução:

Embora inicialmente os EUA não tivessem poder militar para impor a doutrina, ela se tornou a pedra angular da política externa americana.

 Mais tarde, foi ampliada pelo Corolário Roosevelt (1904), que afirmava o direito dos EUA de intervir na América Latina para estabilizar "problemas crônicos" (o que muitas vezes resultou em ocupações militares).

Apoiadores e políticos ligados ao bolsonarismo defendem ideias associadas à Doutrina Monroe (ou sua releitura atual, chamada por alguns de "Doutrina Trump") porque essa visão se alinha à sua estratégia geopolítica, à identificação ideológica e aos interesses econômicos que defendem para o Brasil.

Em resumo, há três motivos principais:

  1. Alinhamento Ideológico e Político: Existe uma forte identidade entre a extrema-direita brasileira e o trumpismo nos EUA. Esse alinhamento se traduz em apoio incondicional às políticas de Donald Trump e em uma visão que vê os Estados Unidos como um líder global a ser seguido, em detrimento de uma política externa brasileira mais independente .

  2. Oposição à Influência da China e do BRICS: A defesa da "Doutrina Monroe" moderna é uma forma de se opor ao crescimento da influência chinesa na América Latina e à participação do Brasil em blocos como o BRICS, que são vistos por Washington como ameaças à sua hegemonia na região .

  3. Interesses Econômicos e Visão de Soberania: Para alguns setores, especialmente do agronegócio, há uma preferência por uma relação comercial mais estreita com os EUA. Além disso, essa postura é interpretada por críticos como uma "submissão" ou "servilismo" aos interesses americanos, onde a soberania nacional seria negociada em troca de apoio político e econômico .


 O Contexto: O que é a Doutrina Monroe (e a "Doutrina Trump")?

Para entender a polêmica, é importante saber que a Doutrina Monroe, criada em 1823 pelos EUA, estabelecia o princípio de "América para os americanos", ou seja, a região seria uma esfera de influência exclusiva dos Estados Unidos, proibindo a intervenção de potências europeias .Hoje, analistas usam o termo "Doutrina Trump" (ou Monroe 2.0) para descrever uma versão mais agressiva e unilateral dessa política. Sob o lema "America First" (América Primeiro), ela justifica:

  • Pressão comercial extrema: Imposição de tarifas e sanções para forçar alinhamento político, como ocorreu com o Brasil em 2025 .

  • Intervencionismo militar e político: Ações para remover governos considerados hostis, como a captura de Nicolás Maduro na Venezuela em 2026, e apoio a líderes alinhados, como Nayib Bukele em El Salvador e Javier Milei na Argentina .

  • Exclusão de rivais geopolíticos: O objetivo principal é conter o avanço da China e de outros rivais no continente, tratando qualquer aproximação como uma ameaça à segurança nacional dos EUA .

O Elo entre Bolsonarismo e a Nova Doutrina Americana

A defesa dessa política por parte de políticos bolsonaristas acontece por diferentes razões:

1. Alinhamento Político e Ideológico com o Trumpismo

Há uma profunda identificação entre o bolsonarismo e o movimento político de Donald Trump, que transcende governos e se tornou um laço ideológico . Isso se manifesta de várias formas:

  • Apoio explícito: Figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, já foram vistas usando o boné "Make America Great Again" (MAGA), um símbolo do trumpismo .

  • Conexões diretas: Parlamentares bolsonaristas, como Eduardo Bolsonaro, viajam aos EUA para buscar apoio político e articular ações contra o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF), agindo como uma ponte para a influência trumpista no Brasil .

  • Adoção de pautas: A retórica de "combate ao narcoterrorismo" e "defesa da democracia" usada pelos EUA para justificar intervenções é reproduzida pela direita brasileira para legitimar políticas de segurança pública e ataques a adversários políticos .

2. Oposição ao Avanço da China e ao BRICS

Um dos pontos centrais da disputa geopolítica atual é a crescente influência da China na América Latina, que os EUA tentam conter .

  • Disputa de esferas de influência: O embaixador Rubens Barbosa, citado pela imprensa, explica que a disputa atual não é mais entre EUA e Europa, mas entre EUA e China, numa "reedição da Doutrina Monroe" .

  • Defesa do alinhamento aos EUA: Pesquisas mostram que 72% dos eleitores de Jair Bolsonaro têm uma imagem positiva dos Estados Unidos, enquanto 58% têm uma visão desfavorável da China . Para esse grupo, o Brasil deve se aliar aos EUA para evitar o que chamam de "risco" da influência chinesa e do BRICS, grupo que criticam por ser formado "majoritariamente por ditaduras" .

3. Interesses Econômicos e Visão de "Submissão" à Soberania

O apoio à hegemonia americana também tem uma base econômica e uma visão de desenvolvimento para o país.

  • Vulnerabilidade do agronegócio: Grandes setores do agronegócio, historicamente ligados à direita, temem retaliações comerciais dos EUA e preferem uma relação de alinhamento .

  • Crítica à política externa independente: Críticos apontam que o bolsonarismo defende um modelo de "subalternidade" ou "servilismo", onde o Brasil abriria mão de sua soberania para agradar Washington, em oposição à política externa mais independente do governo Lula .

  •  O episódio em que o assessor de Trump, Mauricio Claver-Carone, sugeriu publicamente a "dolarização" do Brasil como solução para seus problemas é citado como um exemplo dessa pressão e da reação tímida de alguns setores políticos brasileiros .

 Impactos na Política Brasileira

Essa divisão geopolítica reflete uma polarização interna no Brasil:

  • Governo Lula: Busca uma política externa independente, fortalecendo laços com o BRICS e a China, e defendendo a soberania latino-americana contra o que chama de "velhas manobras retóricas" dos EUA .

  • Oposição Bolsonarista: Defende o alinhamento automático com os EUA e critica a aproximação com a China, colocando-se como a força política que representaria os interesses americanos no Brasil .

Em suma, para o bolsonarismo, defender a essência da Doutrina Monroe é parte de um projeto mais amplo de realinhamento geopolítico com os EUA, motivado por afinidade ideológica, rejeição à influência chinesa e uma visão de desenvolvimento que prioriza a relação com Washington.





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