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04 Jan

Informe revela que 265 crianças nasceram no Haiti por estupros cometidos por Forças de Paz da ONU

  1. Exército brasileiro era parte da missão MINUSTAH, que se manteve no país caribenho entre 2004 e 2017, período em que mais de 2 mil mulheres, muitas delas menores, denunciaram estupros cometidos por militares estrangeiros


  2. Um estudo devastador da UNICEF (Programa das Nações Unidas para a Infância) revelou que 265 crianças nasceram no Haiti por causa de estupros cometidos por soldados de várias nacionalidades, pertencentes às Forças de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas). 

  3. Os pais dessas crianças fizeram parte da MINUSTAH (sigla em francês da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti), razão pela qual elas passaram a ser conhecidas no país como “bebês-MINUSTAH”.

  4.  O informe também mostra que nada foi feito para indenizar as pessoas vítimas desses abusos.


    Mais de 2 mil mulheres haitianas, muitas delas menores, sofreram abusos sexuais por parte das forças de manutenção da paz destacadas pelas Nações Unidas. 

  5. Os militares e outros funcionários das delegações das Nações Unidas,cuja missão era restabelecer a paz na zona, mantiveram encontros sexuais inclusive com meninas de 11 anos, se aproveitando da pobreza e miséria que se aprofundou no país após vários anos de guerra civil, intervenção estrangeira e catástrofes climáticas.


    Quando os “capacetes azuis” – como são conhecidos os soldados das Forças de Paz – chegaram ao país, em 2004, tinha como objetivo, supostamente, ajudar a pacificar um dos países mais pobres do mundo, e a esperança pela sua atuação era enorme. 

  6. O Exército brasileiro enviou tropas para fazer parte desse contingente durante os 13 anos em que durou a ocupação do país caribenho.


    Quando eles saíram, em 2017, a decepção era ainda maior, generalizada na sociedade haitiana. Entre os que deixaram o país estavam os estupradores, que abandonaram as crianças e suas mães, voltando aos seus países como se nada houvesse acontecido.


    As denúncias de abuso sexual são antigas. Em 2012, o número de acusações foi tão grande que a ONU tomou algumas medidas. Se isso não bastasse, o legado da MINUSTAH inclui uma epidemia de cólera, que assolou o país em 2010: investigações determinaram que ela foi gerada por soldados nepaleses que chegaram doentes ao Haiti. Esse surto deixou mais de 8 mil mortos.


    Antes disso, em 2011, quatro marinheiros uruguaios foram acusados de estuprar um menino haitiano de 19 anos, na cidade de Port Salut. O ataque foi registrado com um telefone celular pelas mesmas tropas, e acabou vazando na Internet

  7. . O adolescente e sua família tiveram que deixar a cidade depois que o vídeo se tornou viral. Em novembro de 2007, 114 membros das Forças Armadas de Sri Lanka foram acusados de conduta sexual imprópria e abuso sexual de pelo menos nove crianças. Eles foram separados da Força de Paz, mas não receberam nenhuma punição.


    A MINUSTAH deixou o Haiti, a nação mais pobre do hemisfério ocidental e que sofreu em 2010 o mais mortal terremoto já registrado, no dia 15 de outubro de 2017. 

  8. Os milhares de soldados, policiais e funcionários que a ONU que estavam presentes no país desde 2004 abandonaram o território haitiano, onde semearam desgraças por treze anos.


    “Meninas de 11 anos foram abusadas sexualmente,ficaram grávidas dos capacetes azuis e foram deixadas na miséria, tendo que criar seus filhos sozinhas”, diz a informe, para o qual foram entrevistados homens e mulheres que moravam em localidades próximas às bases militares usadas pelas Forças de Paz.


    “Os soldados destruíram o futuro dessas meninas ao engravidá-las. Isso teve um impacto negativo na sociedade, porque elas poderiam ser advogadas, médicas ou qualquer coisa que pudesse ajudar o Haiti. Agora, em vez disso, elas vagam pelas ruas ou pelos mercados carregando frutas para sustentar os filhos que tiveram com os soldados da MINUSTAH” diz um dos entrevistados.


    A investigação destaca que há três elementos que, à primeira vista, podem ser tirados como lição do que aconteceu no Haiti: que a pobreza passa a ser um fator que facilita o abuso dos capacetes azuis, que os soldados que deixavam mulheres grávidas eram repatriados sem serem punidos e que, em muitos casos, algumas meninas achavam que era bem-vinda a possibilidade de ter filhos com homens de pele mais clara.


    “Quando eu fiquei com o brasileiro, eu tinha 14 anos. Ele trabalhava perto do meu colégio, na Escola Cristã. Fiquei grávida e meu pai me expulsou de casa.

  9.  Agora estou trabalhando para alguém que me dá 25 gourdes (equivalente a 25 centavos de dólar, ou 1,40 real), com o que meu filho e eu tentamos comer”, é o testemunho de uma jovem de Porto Príncipe, mãe solteira de um menino de quatro anos, uma das mais de 2 mil pessoas entrevistadas para o estudo sobre exploração sexual e abusos cometidos pelos capacetes azuis no Haiti, publicado pelo jornal acadêmico Internation Paecekeeping.


    As denúncias envolvem diretamente militares de diversos países, mas os mais citados pelas vítimas são tropas do Uruguai, Brasil, Chile e Argentina, nessa ordem. Além desses países, também conformaram a MINUSTAH militares do Canadá, França e de alguns países da África e da Ásia.


    No Haiti, termos como “bebês-capacete-azul” ou “bebês-MINUSTAH” são usados para se referir às crianças que nasceram dessas relações com membros da missão da ONU e diferenciá-las dos filhos de haitianos. 

  10. “Muitas das nossas famílias foram abusadas. Pode parecer que te amavam, te deixaram algumas moedas em suas mãos depois de dormir com você e te deixar um bebê. Então, a criança está nos seus braços e sua família não tem nada”, disse um dos denunciantes.


    Aliás, o estudo se chama “Deixavam algumas moedas em suas mãos e colocariam um bebê em você”. Ele aponta a pobreza como um fator-chave na exploração sexual e nos abusos cometidos pelos “capacetes azuis”. 

  11. O informe acrescentou o fato de que a repatriação dos soldados envolvidos aumentou as dificuldades para as mulheres e crianças que tiveram filhos com eles.


    O informe foi produzido pela UNICEF e explica que ter filhos de pele clara com “capacetes azuis”chegou a ser considerado desejável por algumas mulheres,uma vez propagada a ideia de que isso poderia melhorar seu status econômico e social, algo que, mais tarde não foi alcançado.

  12.  No entanto, quando precisavam buscar novos relacionamentos após a partida do pai da criança, as mães acabavam entrando em um círculo vicioso. “Eles (soldados) foram embora e as deixaram na miséria, e agora elas(vítimas) têm que se sujeitar à mesma exploração sexual para alimentar seus filhos”, explica outro depoimento.


    “Há muitos casos, muitos cenários diferentes, em que essas crianças são concebidas e nascem”, explica a autora do estudo, Sabine Lee, professora da Universidade de Birmingham, no Reino Unido. “Está bastante claro que essas meninas foram abusadas, que os soldados sabiam claramente que eram menores”, diz a acadêmica.


    Um porta-voz da Força de Paz da ONU garante que esta organização leva o assunto a sério e que está apoiando 29 vítimas e 32 crianças nascidas em consequência de abuso e exploração sexual por parte do pessoal da MINUSTAH.


    Contudo, o informe reconhece 256 crianças haitianas cujos país foram soldados ou funcionários da ONU ligados à MINUSTAH. A mais nova dessas crianças está agora com quatro anos. Entre as mães, haviam meninas que tinham até 11 anos no momento em que engravidaram.

  13.  Os soldados uruguaios têm o primeiro lugar entre os pais dessas crianças, seguidos pelos brasileiros em segundo lugar.

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