Isenções fiscais: Assim o “mercado” drena o Brasil
Isenções fiscais: Assim o “mercado” drena o Brasil
15 Feb
Isenções fiscais: como o “mercado” drena o Brasil.As isenções fiscais — também chamadas de gastos tributários— são benefícios concedidos pelo Estado a empresas e setores específicos, reduzindo ou eliminando impostos. Em tese, serviriam para estimular investimentos, gerar empregos e promover o desenvolvimento.Na prática, muitas vezes atuam como um grande mecanismo de transferência de recursos públicos para o setor privado.
O que são as isenções fiscais?
São renúncias de arrecadação feitas pelo governo por meio de:
Redução de alíquotas
Isenção total de impostos
Créditos subsidiados
Regimes especiais
Esses dados são monitorados oficialmente pela Receita Federal do Brasil, que estima anualmente quanto o Estado deixa de arrecadar.Hoje, o Brasil abre mão de centenas de bilhões de reais por ano emimpostos.
Quem mais se beneficia?
As maiores beneficiárias costumam ser:
Grandes bancos
Multinacionais
Exportadoras
Setor financeiro
Agronegócio empresarial
Indústrias concentradas
Enquanto isso, pequenas empresas, trabalhadores e consumidores pagam proporcionalmente mais impostos.👉 O sistema é regressivo: quem tem menos paga mais.
O papel do Estado e da política
Grande parte dessas isenções é aprovada no Congresso Nacional, muitas vezes sob forte pressão de lobbies empresariais.Já o Ministério da Fazenda costumaalertar sobre o impacto fiscal, mas enfrenta resistência política para cortar privilégios.O resultado é:
Benefícios renovados automaticamente
Pouca fiscalização
Falta de avaliação real dos resultados
O mito: “isenção gera desenvolvimento”
O discurso dominante afirma:
“Sem incentivos, as empresas não investem.”
Mas estudos mostram que, em muitos casos: As empresas não geram empregos ❌ Não inovam ❌ Não reduzem preços ❌ Apenas aumentam lucros. Ou seja: o Estado subsidia o lucro privado sem retorno social.
Como isso drena o país?
O mecanismo funciona assim:1️⃣ O governo abre mão de arrecadação 2️⃣ Falta dinheiro para políticas públicas 3️⃣ Corta gastos sociais 4️⃣ Aumenta impostos indiretos 5️⃣ Penaliza os mais pobres Resultado:➡️ O povo financia o “mercado” ➡️ O mercado captura o Estado
Impactos diretos
As isenções afetam diretamente:
Saúde
Educação
Infraestrutura
Ciência e tecnologia
Moradia
Transporte
Cada real renunciado é um real a menos para o serviço público.
Privatização indireta do orçamento
Na prática, as isenções funcionam como uma privatização silenciosa do orçamento:
O Estado arrecada menos
Empresas escolhem onde investir
A política pública vira política empresarial
O orçamento deixa de ser instrumento social e passa a ser ferramenta de rentismo.
Relação com o “mercado”
O chamado “mercado” — bancos, fundos, grandes grupos — atua em três frentes:✔️ Pressiona por isenções ✔️ Cobra austeridade depois ✔️ Lucra com juros da dívida É um ciclo vicioso:
Renúncia → Déficit → Ajuste → Juros → Mais poder financeiro
Por que isso quase não é debatido?
Porque envolve:
Interesses poderosos
Financiamento de campanhas
Mídia empresarial
Dependência econômica
O debate é deslocado para “cortar gastos sociais”, nunca para cortar privilégios.
Alternativa: justiça fiscal
Uma política fiscal democrática exigiria: revisão das isenções Avaliação com metas claras Tributação de lucros e dividendos Imposto sobre grandes fortunas Fim de benefícios sem retorno social Isso permitiria:Mais investimento público ➡️ Menos desigualdade ➡️ Mais soberania nacional
Conclusão
As isenções fiscais, como operam hoje, não são instrumentos de desenvolvimento.São, em grande parte:
Um mecanismo institucionalizado de drenagem da riqueza nacional.
O “mercado” não produz essa riqueza sozinho — ele a captura por meio do Estado.