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05 Jan

"Assembleia" paralela da oposição restringe acesso de Juan Guaidó a recursos públicos


Grupo de ex-deputados opositores tenta aumentar controle sobre orçamento do "governo paralelo"

  1. Após três anos da autoproclamação, o opositor Juan Guaidó perde mais apoios dentro do seu bloco composto por ex-deputados venezuelanos. Neste 5 de janeiro, os opositores a Nicolas Maduro que compuseram a legislatura de 2015 -2020 da Assembleia Nacional venezuelana, mas se recusam a reconhecer a legitimidade do novo Parlamento eleito em dezembro de 2020, votaram por manter o reconhecimento ao "governo interino", mas diminuindo a autoridade de Guaidó. 

    Ainda que as decisões da Assembleia paralela não possuam qualquer efetividade na política nacional venezuelana, já que um novo Poder Legislativo foi eleito e instalado há um ano, os debates desse grupo de opositores incidem sobre o acesso ao dinheiro público do país bloqueado no exterior.

    O interinato é uma aberração e isso foi dito por eles mesmos. Eles só existem pelo suporte que recebem dos Estados Unidos, dentro do país eles têm um incidência nula", comenta o cientista político e professor da Universidade Central da Venezuela (UCV), Carlos Raúl Hernández. 

    Tanto Estados Unidos como o Reino Unido insistem em reconhecer Guaidó como autoridade legítima da Venezuela, dando a ele e seus aliados o acesso aos ativos públicos venezuelanos bloqueados nos seus países. 

    De acordo com os últimos orçamentos aprovados, o governo paralelo de Guaidó engloba cerca de 1600 pessoas e gasta cerca de US$ 7,7 milhões mensais (cerca de R$35 milhões) - em salários e ajudas de custos. 

    O valor - que poderia cobrir a cesta básica alimentar para 30 mil famílias venezuelanas, de acordo com estudo  é retirado dos US$ 153 milhões bloqueados em contas em bancos estadunidenses, sendo liberado anualmente pelo Federal Reserve, o Banco Central dos EUA.  

    "O erro começa e termina nisso que chamam de governo provisório. Do ponto de vista diplomático e político, não lembro de ter estudado um caso tão grotesco como esse de manter o apoio a uma figura de um governo que não responde a nada, que carece de prestígio. E isso simplesmente porque os norte-americanos não encontram forma de lidar com um governo que está lançando todas as mensagens sobre seu desejo de normalizar as relações com os EUA", analisa o cientista político venezuelano.

    Guaidó também teve acesso a cerca  e continua disputando o controle de guardados no Banco da Inglaterra.

    Além do fracasso da estratégia de derrubada do governo de Nicolás Maduro, o chamado "interinato" esteve envolvido em uma série de escândalos de corrupção com o dinheiro recebido do exterior e na gestão das empresas venezuelanas nos Estados Unidos e na Colômbia, levando, por exemplo, a petroquímica

    A Assembleia Nacional da Venezuela, eleita em dezembro de 2020, criou uma comissão para investigar os delitos da legislatura presidida por Guaidó e constatou que os deputados geraram .
    Diante do quadro, os ex-deputados que compõem a Assembleia paralela decidiram diminuir os poderes de Guaidó e do seu partido Vontade Popular sobre os recursos. 

    Os opositores  extinguir o Conselho Político do governo paralelo, até então presidido por- braço direito de Guaidó. Agora uma nova comissão deverá estabelecer quem serão os indicados para assumir cargos no governo interino.

    Também definiram que Guaidó não poderá pedir recursos adicionais que extrapolem o orçamento anual estabelecido pela Assembleia para o governo paralelo e deverá prestar contas mensalmente.

    "Eles não representam a ninguém. A suposta liderança que Guaidó exerceu em 2019 foi se perdendo e agora sequer lidera o chamado G4 [grupo dos quatro maiores partidos de oposição]. Esse novo estatuto de transição privilegia obviamente ao partido de Guaidó, Vontade Popular, e a uma dissidência do partido Ação Democrática, representada por Henry Ramos Allup", defende Carlos Raúl Hernández.

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