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25 Apr
LULA A AS MAZELAS DO NEOLIBERALISMO

Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade. 

Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende agora que o outro lado se apresente agora como antissistema… 

Não podemos nos eleger com um programa e implementar outro. Não podemos trair a confiança do povo, mesmo que boa parte da população não se veja como progressista.

Essa é uma crítica contundente e recorrente dentro do campo progressista: a denúncia de que governos eleitos com bandeiras de transformação social acabam por aplicar políticas de ajuste fiscal, controle de gastos e concessões ao capital financeiro, em nome da “governabilidade” ou da “responsabilidade fiscal”.

Você toca num ponto central da crise de representação contemporânea: a sensação de que a política institucional, inclusive a de esquerda, tornou-se administradora do sistema que deveria combater

Quando o“antissistema” de direita ou extrema-direita surge com discurso contra a“política tradicional”, ele se aproveita justamente desse vazio deixado pela esquerda que governa como centro-direita.Alguns desdobramentos importantes dessa análise:

  1. O neoliberalismo como hegemonia – Mesmo após crises (2008, 2015-2016 no Brasil, pandemia), a ortodoxia econômica segue como “única alternativa”, enquadrando a política fiscal como mera gestão de escassez, não como distribuição de riqueza.

  2. A armadilha da governabilidade – Governos de esquerda, ao assumirem, herdam dívidas, juros altos e instituições financeiras poderosas. Para evitar rupturas institucionais (ou golpes), recuam do programa original, adotando metas fiscais rígidas e contrarreformas.

  3. Consequência eleitoral – Essa contradição gera descrença na própria esquerda e abre espaço para líderes que se apresentam como“novos”,“limpos” ou“contra o sistema”, ainda que defendam políticas ainda mais neoliberais ou autoritárias.

  4. A questão da confiança – Quando se promete um mandato e se entrega outro, a população não distingue entre “traição por necessidade” e “traição por convicção”. O resultado é o mesmo: desengajamento político e voto de rejeição.

A saída apontada por essa crítica não é apenas retórica: exige-se coerência programática, ruptura com a lógica da austeridade e construção de mandatos que realmente confrontem o poder econômico, ainda que sob ataque midiático e institucional.

 Caso contrário, o “antissistema” de direita seguirá colhendo os frutos da frustração que a própria esquerda ajuda a semear.

A citação acima, foi extraída de um discurso do presidente do Brasil, proferido em Barcelona, na Espanha, no dia 18 de abril do presente ano, quando de sua participação na primeira edição do evento Mobilização Progressista Global (MPG).

 O encontro reuniu ativistas e organizações de esquerda de diferentes partes do mundo com o objetivo de defender a democracia com justiça social e combater o avanço da forças autoritárias de extrema-direita.

Um discurso semelhante, de mesmo teor, já tinha sido feito por Lula no dia 24 de setembro de 2025, quando da segunda edição do evento “

Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo”. Realizado em paralelo à Assembleia Geral das Nações Unidas, é um fórum internacional em defesa das instituições democráticas e contra a desinformação, o discurso de ódio e a desigualdade social. Com a participação de 30 países, Brasil, Chile, Espanha, Colômbia e Uruguai estiveram na mesa principal.


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