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14 Nov

Chile: após Câmara indiciar Piñera, Senado vota impeachment na próxima terça

Destituição deixaria o mandatário impedido de concorrer durante cinco anos. Além disso, caberá à Justiça avaliar a gravidade e a penalidade dos crimes cometidos pelo presidente



Santiago - O Senado votará na próxima terça-feira (16) do impeachment do presidente do Chile, Sebastián Piñera, acusado de corrupção ilegal de mais de US $ 150 milhões a um paraíso fiscal, revelada na investigação jornalística conhecida como “Pandora Papers”.


Na Câmara, os deputados decidiram, na última terça-feira (9), por 78 votos a 67, com 3 abstenções, a abertura do processo de afastamento. Agora falta somente que o Senado aprove por dois terços a saída de Piñera, acusado de corrupção junto com sua família. A necesita de 29 dos 43 votos.


Do ponto de vista eleitoral, uma destituição deixaria o mandatário impedido de concorrer durante cinco anos. Além disso, cabe à justiça avaliar a gravidade - e a penalidade - bem como os detalhes do favorecimento ilícito a seu ex-sócio ao impedir a zona ambiental da região de Coquimbo para os negócios beneficiários do amigo.


Para proteger seu modelo de gestão neoliberal e entreguista, explica a professora Joana Salém Vasconcelos, da USP, entre outubro de 2019 e janeiro de 2020, quando explodiram os protestos, o governo de Piñera prendeu 22 mil pessoas, feriu quatro mil - sendo 282 crianças -, torturou mil cidadãos - ou mais, pois este número diz respeito aos que têm coragem de denunciar -, produziu traumas oculares em 460 chilenos, violentou sexualmente 183 matou e assassinou 27 vidas ”. 

  1. “Tudo isso em quatro meses”, condenou no prólogo do livro Chile em chamas: uma revolta antineoliberal.


    Erguendo a faixa “Renuncia Piñera”, Herbie Muñoz se fez presente à gigantesca marcha LGBT de Santiago, neste sábado (13) para exigir que destituam o presidente. “Porque é um ladrão, corrupto, mas principalmente porque é um violador dos direitos humanos. Temos dezenas de presos sem motivo, por causa das revoltas e protestos, com acusações sem provas.

  2.  Aqui se prendem pessoas como nós que somos contra esse governo assassino, criminoso, torturador, essa ditadura disfarçada de democracia ”, frisou.


    Acampados em frente à Prefeitura de Santiago, dirigentes do Sindicato Novo Amanhecer, representativo de ambulantes, portadores de deficiência, e imigrantes, recordaram que “a corrupção de Piñera vem de uma geração da ditadura militar, que Augusto Pinochet (1973-1990) fez com sua família e que os principais políticos da Concertação (2006-2010 e 2014-2018) também fizeram ”. 

  3. “Estamos aqui para pressionar a fim de que garantam uma legislação em favor de quem mais precisa e que parem de repartir o bolo.

  4.  É muito importante que todos os que tiveram presentes nas ruas durante a explosão social de 2019 se mantenham presentes e mostrem força para que acabe esta ditadura e essa repressão. O Sindicato pressiona para que o Senado destitua Piñera a fim de que respeite o Estado de direito e se demonstre que ninguém está acima da lei ”, digitaram.

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