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07 Feb
  1. A CRISE DA EUROPA E O REFLEXO DE UMA POLITICA DE AUTODOMINCAO DOS EUA SEMPRE FPI A CRISE E NAO A SOLUCAO 

  2. entre Ucrânia, Rússia, Estados Unidos e outros países da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a narrativa resultante na mídia estadunidense mostram que os líderes norte-americanos adoram as crises internacionais.


    Em uma crise, o público geralmente é desencorajado a fazer perguntas. Quando o faz, o militarismo costuma ser a resposta.


    Apesar de o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky tentar conter o pânico e minimizar a noção de que uma invasão russa é iminente, as autoridades da Casa Branca retratam o conflito armado entre Rússia e Ucrânia como inevitável, e o apoio militar dos Estados Unidos à Ucrânia é vendido ao público como uma reação necessária.


    “Qual é a alternativa?”. perguntou o general retirado Peter Zwack, em uma entrevista à NPR (sigla da Rádio Pública Nacional dos Estados Unidos). “Nós deixaremos que eles (russos) invadam (a Ucrânia), ou tornamos o custo dessa ação seja mais alto no campo militar, e também nos campos diplomático e econômico?”, completou.


    A dicotomia que surge é entre a ação militar ou a inação. Optar pela passividade é apresentado como abandonar a Ucrânia. A proposta de Zwack é utilizar “armas letais”, mais especificamente os mísseis antitanque Javelin e os mísseis antiaéreos Stinger.


    Os Estados Unidos parecem preferir essa receita. Em pouco mais de uma semana, enviaram quatro remessas de armas à Ucrânia, uma medida que fez com que os fabricantes de armas do país antecipassem lucros vertiginosos para seus acionistas.


    O tipo específico de história de crise que as autoridades estadunidenses estão lançando na situação com a Ucrânia é familiar: um oprimido enfrenta a ameaça de um regime autoritário, para o qual os Estados Unidos devem socorrer com uma resposta militar.


    Em uma entrevista à NPR, o presidente da “bancada ucraniana” do Congresso estadunidense, Brian Fitzpatrick (Partido Republicano da Pensilvânia), ofereceu uma analogia que as autoridades costumam invocar para justificar a ação militar: “quando defendemos o Kuwait na Operação Tempestade no Deserto, enviamos uma mensagem ao mundo de que a integridade territorial de uma nação independente não pode ser violada. E na Ucrânia não deve ser diferente. Temos que enviar uma mensagem muito forte e inequívoca a Vladimir Putin, que também seria uma mensagem para Xi Jinping, Kim Jong-un e outros maus líderes ao redor do mundo, de que isso não está certo”.


    O entrevistador não questionou a resposta de Fitzpatrick, mas o exemplo que ele deu, da ação militar dos Estados Unidos no Iraque em 1991, mostra exatamente porque é fundamental questionar a narrativa que está sendo promovida pela mídia norte-americana, especialmente em tempos de crise.


    Se as tropas e as armas dos Estados Unidos já estão na Ucrânia há anos, mas sua presença não impediu a Rússia de mobilizar tropas, por que o Pentágono acha que mais armas e tropas terão esse efeito agora?


    No relato de Fitzpatrick sobre a invasão iraquiana do Kuwait, os Estados Unidos parecem ser um espectador respondendo às ações iraquianas. Mas sua história convenientemente ignora o fato de que, pouco antes da invasão do Kuwait, o Iraque tinha os Estados Unidos como aliado, que lhe forneceu armas durante a Guerra Irã-Iraque, na Década de 1980. Também ignora que a história não acabou com o fim da Operação Tempestade no Deserto.


    Os Estados Unidos rapidamente mudaram sua suposta defesa do Kuwait, e a transformaram em sua própria invasão. Naquele ataque, os Estados Unidos mataram cerca de 100 mil iraquianos e destruíram o país. Então, impôs sanções econômicas catastróficas ao Iraque, que foram responsáveis %u20B%u20Bpela morte de outro milhão de iraquianos. Essa política se seguiu com patrulhas aéreas do Iraque e bombardeios o país durante a década seguinte. Finalmente, em 2003, os Estados Unidos invadiram mais uma vez aquele país, e até hoje mantêm cerca de 2,5 mil soldados em Bagdá e arredores.


    Os exemplos anteriores de intervenção dos Estados Unidos excluem o contexto vital e ficam aquém de contar toda a história. Casos como os dessas obscuras operações militares de longa data, algumas delas ainda em andamento, tornam o mundo mais perigoso e impedem o vislumbre de um final para esse cenário.


    Ainda assim, há momentos em que as autoridades compartilham detalhes que revelam inadvertidamente que o envolvimento norte-americano na crise da fronteira com a Ucrânia é muito mais complicado do que o reconhecido por Washington.


    Com 8,5 mil soldados estadunidenses prontos para serem mobilizados, um repórter perguntou durante uma entrevista coletiva na Casa Branca se o envio de forças para países que a OTAN considera o seu “flanco leste” poderia agravar a situação, em vez de acalmá-la. “Temos tropas nos países do ‘flanco leste’ há décadas”, respondeu a secretária de imprensa, Jen Psaki.


    De fato, os Estados Unidos mantêm uma enorme presença militar na Europa, com armas nucleares incluídas. Nos anos que antecederam a atual crise, o país gastou milhões de dólares armando a Ucrânia.


    Desde o conflito de 2014 na Ucrânia, no qual a Rússia anexou a península da Crimeia, os Estados Unidos enviaram centenas de milhões de dólares em armas os ucranianos, incluindo seus notórios mísseis Javelin.


    A admissão de Psaki levanta algumas questões a serem revisadas: se as tropas e armas norte-americanas já estão na Ucrânia há anos, e na Europa há décadas, mas sua presença não impediu a Rússia de mover tropas para a fronteira ucraniana, por que se considera que agora isso vai acontecer? Esse mesmo militarismo dos Estados Unidos, apresentado como solução para a tensão no Leste Europeu, poderia ser, na verdade, a cauda do problema?


    Seria um erro minimizar a potencial devastação de uma invasão russa à Ucrânia, caso ela ocorra. Mas as ações dos Estados Unidos estão aumentando as tensões em vez de resolvê-las. Quando as autoridades dos Estados Unidos falam sobre a soberania ucraniana, é claro estão preocupadas, principalmente, com um avanço militar da Rússia,

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