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30 Jul

Ex A história dos preços do arroz é bem diferente da história dos preços do gás de cozinha, da gasolina, do óleo diesel. Todos têm complicado a vida dos brasileiros, especialmente daqueles de renda mais baixa. Os preços do arroz e dos combustíveis, no entanto, servem interesses muito distintos. Entendê-los pode apontar caminhos opostos ao que trilha nosso sombrio país. Seguem suas histórias dos últimos 12 meses.


O arroz

Em janeiro de 2020, o preço da saca de 50 quilos do arroz em casca estava pouco abaixo de 50 reais. A safra brasileira prevista não era exuberante (10,5 milhões de toneladas), mas somada à importação, daria conta do consumo interno e de uma exportação em torno de 15% da produção, no período da safra, de março de 2020 a fevereiro de 2021. Registremos aqui uma primeira razão para a alta que se seguirá: não se previa um safra abundante de arroz.

O dólar mais forte em relação ao real, no final de março, deixava o preço de exportação (cerca de 70 reais por saca) mais atraente para o produtor, que vendia no mercado interno por 52 reais. As preocupações com a pandemia começavam a influir no aumento da demanda no Brasil e no exterior. Dois novos componentes para a alta, assim, se agregam aqui: o dólar forte favorece a exportação, o mesmo valor em dólares de tempos anteriores se transforma em mais reais para quem exporta. O segundo é que a procura pelo arroz cresce em função da insegurança, no Brasil e fora, com relação ao abastecimento.

O mês de abril foi de forte alta, com a saca fechando a 57 reais, ao contrário do esperado, pois a safra estava em pleno andamento. Mais um fator entra em cena para esse resultado: os custos de produção e transporte, que já eram altos, se agravam. Com o início do fechamento de indústrias, pela pandemia, em São Paulo e Rio, muitos caminhões que levavam arroz do Rio Grande do Sul tiveram que voltar vazios, pressionando os custos. 

O mês de maio fecha com a saca sendo negociada a 63 reais, resultado da alta demanda interna e externa. As exportações continuavam favorecidas por preço mais alto no exterior e o dólar alto em relação ao real. A procura permaneceu aquecida durante todo o mês de julho,em que a saca fechou a 65 reais. 

O movimento de preços em agosto marcou recordes em cima de recordes de preços máximos. A cotação fechou o mês a 94 reais a saca, e a média do período foi de 80 reais. Os produtores, ao perceberem a forte procura e o movimento de alta dos preços, limitaram suas vendas no mercado na tentativa de aumentar seus resultados. Além disso, as exportações em agosto 2020 foram o dobro das de agosto de 2019.

Em setembro os negócios superaram a casa dos 100 reais por saca. O pico registrado ocorreu em meados de outubro a 106 reais. Em dezembro, os agentes começaram a se questionar se haveria mesmo razão para alta tão expressiva e, como acontece nesses casos, a alta começou a refluir. De todo modo, “no acumulado do ano (de 30/12/2019 até 30/12/2020), o Indicador Esalq/Senar-RS subiu expressivos 95,5%, fechando a R$ 93,91 por saca de 50 kg no dia 30”. 



A linha vermelha do gráfico refere-se aos preços da saca de 50 quilos do arroz em casca durante o ano de 2020. O ano começa com o preço em 48 reais, o patamar de 63 reais é alcançado no segundo trimestre e o grande salto, para cima de 100 reais, ocorre em agosto e setembro. O valor mais alto do ano foi 106 reais em outubro. Os preços fecham ano de 2020 perto de 94 reais, uma alta no ano de 95,5%, ou seja, o preço do arroz praticamente dobrou no Brasil em 2020. ample Text

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