O JUROS NO BRASIL É UM APARATO DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA E NADA MUDA
O JUROS NO BRASIL É UM APARATO DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA E NADA MUDA
28 Jan
Como o Contexto Nacional Afeta o Debate
A agenda pública é constantemente capturada por outros temas, especialmente os relacionados ao Poder Judiciário.
A atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) em julgamentos de grande impacto político e social consome grande parte da atenção da mídia e do debate nacional, deslocando questões econômicas estruturais, como a taxa de juros, para um plano secundário.
Além disso, embora reformas do Judiciário tenham sido implementadas nas últimas décadas, buscando maior eficiência, críticas apontam que tiveram um caráter mais gerencial e pouco avançaram em tornar o sistema mais acessível ou democrático para o cidadão comum.
Essa percepção de uma Justiça distante pode ampliar o sentimento geral de que as grandes decisões do país (econômicas ou jurídicas) são tomadas em instâncias inalcançáveis.
O Que Pode Ser Feito?
Para que o debate sobre os juros ganhe mais força na sociedade, algumas mudanças podem ser necessárias:
Educação Econômica e Financeira: Tornar conceitos como taxa Selic, inflação e política monetária mais acessíveis ao público geral.
Enquadramento em Prioridades Populares: Conectar claramente o nível dos juros a questões do dia a dia, como emprego, crédito ao consumidor e preços.
Pressão Organizada: A história mostra que mudanças ocorrem quando a sociedade se organiza.
A pressão por reformas no Judiciário, por exemplo, ganhou força a partir de amplos debates e da atuação de diversos setores.
É difícil prever se e quando os juros se tornarão uma pauta de mobilização popular massiva, como outras questões já foram. Isso dependerá de uma combinação de fatores econômicos (como uma crise de custo de vida mais aguda), políticos (surgimento de lideranças que coloquem o tema no centro) e de comunicação (capacidade de simplificar e conectar o tema às necessidades imediatas das pessoas)
Movimentos populares e sindicais realmente se mobilizam e protestam, inclusive em frente ao Banco Central (BC), pedindo a redução da taxa de juros (Selic).
No entanto, essa mobilização não costuma envolver o público em geral de forma massiva, como em outros movimentos sociais históricos.
A Mobilização por Juros Mais Baixos
Há uma mobilização organizada contra os juros altos:
Ações diretas: Em 2023, 2024 e março de 2025, centrais sindicais como a CUT, Contraf-CUT e outras organizaram protestos simultâneos em várias capitais, principalmente em frente às sedes do BC.
Um protesto ocorreu em São Paulo em janeiro de 2026, antes de uma reunião do BC.
Reivindicações: Os manifestantes criticam os juros altos por prejudicarem a economia, o emprego e o poder de compra, além de favorecerem o setor financeiro.
Exigem a redução da Selic e questionam a autonomia do BC, acusando-o de ser "refém do mercado".
Participação: Os protestos têm participação ativa de sindicalistas (incluindo do setor bancário), estudantes e líderes políticos de esquerda.
Por Que Isso Não Vira um Movimento de Massas?
Apesar dessa mobilização organizada, o tema não consegue catalisar um movimento popular amplo como outros (ex.: junho de 2013), o que se deve a uma combinação de fatores:
Para Entender Melhor
Para ajudar a compreender como os juros altos são percebidos e combatidos, abaixo estão informações sobre quem protesta e por que muitos não se envolvem:
Para Ir Mais Fundo
A mobilização popular sobre juros tende a ser um movimento organizado por setores que compreendem suas consequências macroeconômicas, mas ainda não consegue traduzir essa pauta complexa em uma causa mobilizadora para a grande massa, que prioriza problemas imediatos e de fácil compreensão.
Essa dificuldade reflete o próprio desafio da política monetária em uma democracia.Você tem interesse em saber mais sobre como os juros afetam algum aspecto específico da economia, como o financiamento à habitação ou o crédito para pequenas empresas...