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28 Nov


O NOVO GOLPE DA FARIA LIMA E SO UMA PITADA DE SAL AO AGRONEGOCIO !

O passo a passo da união entre mercado financeiro e agronegócio


Unidos pelo impeachment de 2016, setores contaram com os ventos favoráveis de Brasília para criar novos investimentos

  1. O comércio sofre, a indústria virou pó, o consumo segue no congelador. O telejornal mais importante do país passou à margem de um acontecimento que, talvez, tenha sido o mais importante do dia: a Brasil 

  2. Agro, vendeu uma pequena fatia de sua fazenda em Alto Taquari, no Mato Grosso, por R$ 589 milhões. Tem sido assim sempre que se trata do agronegócio: cifras astronômicas sobre balança comercial e recorde de exportação, sem uma explicação do que significam na prática. 

  3. Bom, na prática, a venda de 3.723 hectares de uma empresa desconhecida do público é o ápice temporário de um processo tão bem organizado que os recordes se renovam a cada dia. Não importa que a economia esteja mal. Não importa que metade da população esteja na miséria. 

  4. Na verdade, alguns dos péssimos indicadores econômicos colocam ainda mais combustível no motor do agronegócio. Agricultores combalidos, inflação de alimentos e supervalorização dos grãos criam um cenário perfeito para um ciclo de expansão sem precedentes. 

  5. Cada hectare da Brasil Agro custou ao comprador (cujo nome não foi divulgado) o equivalente a R$ 218 mil. O dobro do que a empresa conseguiu por uma outra fatia dessa mesma fazenda apenas um ano antes. E quase o triplo em relação a 2019.

  6.  Usando os preços atuais da soja, o comprador precisaria de 23 anos de produção intensa para recuperar o montante de R$ 589 milhões. Um exemplo evidente de que não é de soja que estamos falando. Se antes as terras brasileiras já haviam se transformado num dos investimentos mais lucrativos do mundo, agora avançamos a um novo patamar. 

  7. Na verdade, o fato mais importante do dia não se deu em Alto Taquari, mas a 1.040 quilômetros dali. É na Avenida Faria Lima, no centro de São Paulo, que pulsa o coração do agronegócio. Lá, são tomadas as decisões sobre o destino de nossas terras, da Amazônia e do Cerrado, dos povos indígenas e da produção dos nossos alimentos. 

  8. É ali que fica a sede da Brasil Agro, uma empresa sobre a qual você vai ouvir nos próximos anos.O edifício situado no número 1309 da Faria Lima tem o mesmo visual de muitos outros que abrigam empresas de agro e tecnologia. São prédios enormes, espelhados, com torres envidraçadas, cascatas e fontes. Não há mais resquício dos sobradinhos de classe média que foram demolidos para dar espaço à operação de verticalização da região.

  9.  Brasil Agro e SLC Agrícola são as duas empresas mais importantes em um processo simples: comprar terras, deixá-las prontas para cultivo, esperar a especulação fundiária e vender no melhor momento. 

  10. Poucas semanas antes de anunciar o negócio em Alto Taquari, a Brasil Agro havia lucrado com um outro pedaço de fazenda na Bahia, por um valor até então altíssimo: R$ 130 milhões. Mas aqueles R$ 53 mil por hectare ficaram parecendo brincadeira de criança. Desde que Jair Bolsonaro vislumbrou o poder, a Brasil Agro vislumbrou as nuvens.

  11.  O valor das ações da empresa mais que triplicou desde as eleições de 2018. “Eu falo que a gente está dez anos à frente do mercado. Por que eu falo dez anos à frente do mercado? Nós começamos a terceirizar nossa operação lá no início da companhia, em 2006 e 2007.

  12. O mercado está começando a terceirizar operações agrícolas agora, depois que passou a reforma trabalhista em 2016”, disse André Guillaumon, presidente da empresa, 

  13. Ou seja, estar à frente do mercado é desafiar leis que em algum momento serão revogadas.  Cada vez que uma peça do tabuleiro se movimenta em Brasília, o mercado financeiro responde em São Paulo. Ou em algum lugar na nuvem digital que faz negócios em cima de milho, boi e soja com a mesma facilidade com que negocia armas, petróleo e carros.

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