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07 Feb
POR QUE SE MATA TANTAS MULHERES NO BRASIL

Por Que Tantas Mulheres São Mortas no Brasil?

ROBERT LORA 

O Brasil convive, há anos, com números alarmantes de assassinatos de mulheres. Em muitos casos, essas mortes não são fruto de violência aleatória, mas resultado de relações marcadas por controle, agressões e ameaças. 

Trata-se do feminicídio: quando uma mulher é morta em razão de seu gênero.A pergunta que se impõe é direta: por que isso ainda acontece em escala tão alta no país?


Violência que começa dentro de casa

A maioria dos casos de feminicídio ocorre no ambiente doméstico. O agressor, quase sempre, é o companheiro, ex-companheiro ou alguém próximo.Essas mortes raramente são repentinas. Antes delas, geralmente há um histórico de:
  • Ameaças

  • Agressões físicas

  • Violência psicológica

  • Ciúmes excessivos

  • Controle da vida da vítima

Muitas mulheres convivem com esse ciclo por anos antes que a situação chegue ao extremo.


Machismo e cultura de controle

Um dos principais fatores por trás da violência contra a mulher é o machismo ainda presente na sociedade.Em muitos casos, o agressor acredita que tem “direito” sobre a parceira: sobre sua roupa, seus amigos, seu trabalho e suas escolhas.
Quando a mulher tenta se libertar, o homem reage com violência.Frases como “ela é minha”, “se não for minha, não será de ninguém” ainda refletem uma mentalidade perigosa, baseada na posse e no controle.


Falhas na proteção

O Brasil possui leis importantes, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio. No papel, elas oferecem proteção. Na prática, porém, nem sempre funcionam como deveriam.Muitas vítimas:
  • Demoram para conseguir medidas protetivas

  • Não recebem acompanhamento adequado

  • Continuam expostas ao agressor

  • Não encontram apoio suficiente do Estado

Em vários casos, mulheres são mortas mesmo após terem denunciado a violência.


Medo, dependência e silêncio

Outro problema grave é o medo de denunciar.Muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos por causa de:
  • Dependência financeira

  • Filhos

  • Pressão familiar

  • Vergonha

  • Ameaças do agressor

  • Falta de apoio

O silêncio, porém, fortalece o agressor e aumenta o risco.


Desigualdade social e racial

A violência contra mulheres atinge com mais força aquelas em situação de vulnerabilidade. Mulheres pobres, negras e moradoras de periferias enfrentam mais dificuldades para acessar proteção, justiça e serviços públicos.Isso mostra que o feminicídio também está ligado à desigualdade social.


Um problema que vai além da polícia

Reduzir a violência contra mulheres não depende apenas de repressão policial. É preciso atacar o problema na raiz.Isso inclui:
  • Educação sobre respeito e igualdade

  • Combate à cultura da violência

  • Apoio psicológico às vítimas

  • Acolhimento em abrigos seguros

  • Políticas públicas eficientes

  • Agilidade da Justiça

Sem prevenção, o Estado age apenas depois da tragédia.


O impacto na sociedade

Cada mulher assassinada deixa filhos, familiares e comunidades marcadas pela dor. O feminicídio não é um problema individual: é um problema social.

Quando uma mulher é morta por violência de gênero, toda a sociedade falha.

O alto número de mulheres assassinadas no Brasil é resultado de uma combinação de fatores: machismo, desigualdade, falhas institucionais, medo e silêncio.

Enfrentar esse problema exige mais do que discursos. Exige compromisso real com a proteção das vítimas, punição dos agressores e transformação cultural.

Respeitar a vida das mulheres não é ideologia. É uma questão de humanidade.


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