O Brasil convive, há anos, com números alarmantes de assassinatos de mulheres. Em muitos casos, essas mortes não são fruto de violência aleatória, mas resultado de relações marcadas por controle, agressões e ameaças.
Trata-se do feminicídio: quando uma mulher é morta em razão de seu gênero.A pergunta que se impõe é direta: por que isso ainda acontece em escala tão alta no país?
Violência que começa dentro de casa
A maioria dos casos de feminicídio ocorre no ambiente doméstico. O agressor, quase sempre, é o companheiro, ex-companheiro ou alguém próximo.Essas mortes raramente são repentinas. Antes delas, geralmente há um histórico de:
Ameaças
Agressões físicas
Violência psicológica
Ciúmes excessivos
Controle da vida da vítima
Muitas mulheres convivem com esse ciclo por anos antes que a situação chegue ao extremo.
Machismo e cultura de controle
Um dos principais fatores por trás da violência contra a mulher é o machismo ainda presente na sociedade.Em muitos casos, o agressor acredita que tem “direito” sobre a parceira: sobre sua roupa, seus amigos, seu trabalho e suas escolhas.Quando a mulher tenta se libertar, o homem reage com violência.Frases como “ela é minha”, “se não for minha, não será de ninguém” ainda refletem uma mentalidade perigosa, baseada na posse e no controle.
Falhas na proteção
O Brasil possui leis importantes, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio. No papel, elas oferecem proteção. Na prática, porém, nem sempre funcionam como deveriam.Muitas vítimas:
Demoram para conseguir medidas protetivas
Não recebem acompanhamento adequado
Continuam expostas ao agressor
Não encontram apoio suficiente do Estado
Em vários casos, mulheres são mortas mesmo após terem denunciado a violência.
Medo, dependência e silêncio
Outro problema grave é o medo de denunciar.Muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos por causa de:
Dependência financeira
Filhos
Pressão familiar
Vergonha
Ameaças do agressor
Falta de apoio
O silêncio, porém, fortalece o agressor e aumenta o risco.
Desigualdade social e racial
A violência contra mulheres atinge com mais força aquelas em situação de vulnerabilidade. Mulheres pobres, negras e moradoras de periferias enfrentam mais dificuldades para acessar proteção, justiça e serviços públicos.Isso mostra que o feminicídio também está ligado à desigualdade social.
Um problema que vai além da polícia
Reduzir a violência contra mulheres não depende apenas de repressão policial. É preciso atacar o problema na raiz.Isso inclui:
Educação sobre respeito e igualdade
Combate à cultura da violência
Apoio psicológico às vítimas
Acolhimento em abrigos seguros
Políticas públicas eficientes
Agilidade da Justiça
Sem prevenção, o Estado age apenas depois da tragédia.
O impacto na sociedade
Cada mulher assassinada deixa filhos, familiares e comunidades marcadas pela dor. O feminicídio não é um problema individual: é um problema social.
Quando uma mulher é morta por violência de gênero, toda a sociedade falha.
O alto número de mulheres assassinadas no Brasil é resultado de uma combinação de fatores: machismo, desigualdade, falhas institucionais, medo e silêncio.
Enfrentar esse problema exige mais do que discursos. Exige compromisso real com a proteção das vítimas, punição dos agressores e transformação cultural.
Respeitar a vida das mulheres não é ideologia. É uma questão de humanidade.