PORQUE O BRASIL NA PÓE VALOR AGREGADO COM AS TERRAS RARAS
PORQUE O BRASIL NA PÓE VALOR AGREGADO COM AS TERRAS RARAS
05 Feb
o Brasil ainda não conseguiu transformar suas enormes reservas de terras raras em produtos de alto valor agregado, e isso tem várias causas estruturais, econômicas e políticas. Aqui vai uma explicação clara e atualizada de por que isso acontece:
1. Foco na extração e exportação de matéria-prima
Hoje, o Brasil quase só extrai e exporta concentrados ou carbonatos de terras raras, produtos de baixo valor agregado. A fase de separação química dos elementos individuais, de fabricação de ligas e de ímãs permanentes (que são usados em carros elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e defesa) ocorre fora do país — principalmente na China. Isso significa que o país “vende barato” e compra caros produtos de maior tecnologia.
Por exemplo: a mina de Serra Verde, em Goiás, produz uma mistura de terras raras (carbonato), que precisa ser processada e separada em elementos específicos, que valem muito mais no mercado.
2. Falta de investimento industrial e tecnológico
Montar fábricas para refinar, separar e transformar terras raras em componentes tecnológicos exige um investimento enorme e tecnologia sofisticada, coisa que o Brasil ainda não tem em escala competitiva
. Há iniciativas e pilotagens (como o consórcio MagBras para ímãs), mas elas ainda são pequenas. Além disso, pesquisadores no Brasil pedem mais investimento em pesquisa e desenvolvimento — em alguns casos comparado com programas de outros países que recebem centenas de milhões em financiamento.
3. Dificuldade de financiamento doméstico
Empresas brasileiras têm dificuldades para obter capital local para desenvolver toda a cadeia produtiva — muitas vezes dependem de financiamento estrangeiro ou de parcerias internacionais, o que acaba atrelando a produção a contratos de exportação e reduzindo os incentivos para agregar valor internamente.
4. Domínio tecnológico externo (especialmente da China)
A China domina o mercado global de terras raras em quase todas as fases — desde a mineração, passando pelo processamento químico, até a fabricação de ímãs e componentes de alta tecnologia. Isso cria uma competição difícil para novos entrantes, pois os produtores chineses têm escala, experiência e cadeia integrada.
5. Políticas públicas ainda em desenvolvimento
O Brasil está começando a reconhecer a importância estratégica desse setor e a estruturar políticas para promover exploração e industrialização — programas de mapeamento geológico, fundos para inovação, e tentativas de atrair investimento estrangeiro com regras de transferência de tecnologia. Mesmo assim, esses esforços são recentes e levam tempo para gerar uma cadeia completa competitiva e sustentável.
Resumo simples
✔ O Brasil tem enormes reservas de terras raras — cerca de 23% das reservas mundiais, ficando atrás só da China. ✘ Mas o país exporta principalmente matéria-prima, sem grande processamento interno. ✘ Faltam investimento, tecnologia e políticas públicas robustas para transformar esse recurso em produtos sofisticados que gerem mais valor econômico e tecnológico. ✔ Há iniciativas em andamento, mas ainda são insuficientes para colocar o Brasil como protagonista global nessa cadeia de valor.