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13 Dec
  1. 100 crianças baleadas em cinco anos de guerra contra a infância no Rio de Janeiro

    Um terço das vítimas foi atingida durante ação ou operação policial e seis em cada 10 crianças foram atingidas na capital.

  2. A violência armada que tem vitimado crianças no Rio se perpetua na incapacidade do Estado de conter a circulação de armas de fogo, visto que cerca de 70% dos tiroteios ocorrem na ausência das forças de segurança que pudessem protegê-las.
  3.  Por outro lado, 30% das crianças são baleadas em situações onde havia agentes públicos de segurança na cena, durante tiroteios decorrentes de operações ou ações policiais ―como foi o caso 
  4. A Defensoria entrou com ação contra o Estado para indenizar a família de Agatha e o Governo do Rio de Janeiro recorreu, alegando que não há prova de responsabilidade do Estado e que os valores pedidos de indenização ―5.300 salários mínimos― são excessivos e constituem “violação frontal aos princípios de constitucionalidade, razoabilidade e da proporcionalidade”. Isso, apesar que o tiro que matou a criança partiu da arma do PM, que responde a processo.
  5. Segundo o inquérito, houve “erro de execução”. Um erro caríssimo, mas que pode sair barato para o Estado.Mesmo para as crianças que sobrevivem a ambientes violentos em que se morre a esmo até dentro de casa, há os impactos dessa exposição, com consequências físicas e psicológicas. “Como que a gente pode esperar que essas crianças [sobreviventes] possam ter bom desempenho numa prova [como a] do Pisa [Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, que avalia o nível de conhecimento dos estudantes], por exemplo, ou que eles ocupem espaços importantes no mercado de trabalho, se eles são prejudicados desde o começo de suas vidas, nesse processo de formação, pelo contexto em que vivem?”, questiona.

    Custo hoje e amanhã

    A perda dessas vidas custa muito para as famílias ―e não só. Custa a todos como sociedade. Hartung lembra que precisamos entender que todas as crianças são “nossas crianças”, e que isso determina nosso futuro como sociedade que queremos e que poderíamos ser. 
  6. “Precisamos pensar numa lógica de cidade, de segurança pública e de educação em que a criança esteja no centro”, diz o advogado, que na segunda-feira 19, pediu, em audiência pública que fosse feito ou cumprido um protocolo de atuação policial em áreas com grande concentração de crianças e adolescentes, com foco na preservação da vida.Em última análise, o assassinato de crianças representa também o custo econômico do que não somos devido à violência. 
  7. Estimativas feitas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostraram que as perdas do Brasil com a violência chegam anualmente a, ou aproximadamente 373 bilhões de reais considerando valores de 2016, ano base da pesquisa. 
  8. O valor era equivalente ao investido pelo Estado em educação na época.O Nobel de Economia, 
  9.  defende que “o fornecimento de recursos para o desenvolvimento na primeira infância gera retorno para a criança e para a sociedade como um todo, através da melhoria da educação, da saúde e dos resultados econômicos”.
  10.  Ou seja, para mudarmos o amanhã é preciso ―e possível― agir hoje. Mas o hoje não nos deixa esperanças. “Uma sociedade que não se mobiliza para evitar mortes de crianças não tem futuro”, diz em tom assertivo, Daniel Lozoya, defensor público no Rio de Janeiro. Ele lembra que é muito raro se chegar à autoria de um homicídio ou tentativa cometida contra crianças no Grande Rio ―especialmente quando 76% delas é vítima de balas perdidas.
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