Trump é o negacionismo oficial como ferramenta de Estado
Trump é o negacionismo oficial como ferramenta de Estado
08 Jan
TRUMP USA ESSES ATAQUES JUSTAMENTE PARA DESVIAR ATENÇÃO DO ATAQUE NO CAPITÓLIO RE A LISTA DE JEFFREY SPEIN
2021 o mundo assistiu estarrecido à invasão do Capitólio, em 2026 o governo de Donald Trump tenta apagar as imagens de violência com o peso da máquina estatal. Sob o título emblemático “January 6: A Date Which Will Live in Infamy” (6 de janeiro:
Uma data que viverá na infâmia), o novo site oficial da Casa Branca não apenas ignora as conclusões das investigações parlamentares anteriores, mas inverte completamente os papéis de agressores e agredidos.
O portal é o ápice de uma estratégia de comunicação que visa consolidar a narrativa de que o 6 de janeiro não foi uma insurreição, mas uma “tragédia” causada por falhas de segurança deliberadas da oposição democrata.
A inversão da culpa e o alvo Pelosi
A peça central da nova narrativa oficial foca na figura de Nancy Pelosi, então presidente da Câmara. Ignorando as verificações de fatos de agências independentes e os relatórios do Comitê Seleto de 2022, o site da Casa Branca alega que Pelosi teria recusado a oferta de 10 mil tropas da Guarda Nacional — uma afirmação que o relatório oficial do governo americano de 2022 já havia desmentido, apontando que nunca houve uma ordem formal de Trump para tal mobilização antes do início do caos.
O site utiliza trechos de vídeos e áudios de Pelosi afirmando “nós falhamos totalmente” para sugerir uma admissão de culpa institucional, enquanto poupa Trump de sua responsabilidade como o “arquiteto central” do plano para anular as eleições de 2020, conforme detalhado no extenso relatório final do Comitê Seleto.
O Perdão como “Correção Histórica”Mais do que uma batalha de narrativas, o governo Trump passou à ação prática. O portal exalta os perdões gerais concedidos em 20 de janeiro de 2025 para cerca de 1.600 réus. Aqueles que o Departamento de Justiça (DOJ) classificou como conspiradores sediciosos (incluindo líderes de grupos extremistas como Proud Boys) são agora retratados como vítimas de uma “grave injustiça nacional”
O site oficial vai além e ataca as bases da investigação original, acusando o Comitê Seleto de 2022 de deletar dados e ser puramente partidário. É o Estado utilizando seus canais de transparência para desacreditar o próprio Poder Legislativo de anos anteriores
Conflito de narrativas
A discrepância entre os registros históricos e a nova versão governamental revela um abismo institucional. Enquanto o Relatório do Comitê Seleto de 2022 definiu o evento como o ápice de um esquema multietapa para manter Trump no poder ilegalmente, o site lançado em 2026 descreve-o como um “protesto pacífico” sabotado pelo “Deep State”.
No registro de 2022, a responsabilidade recai sobre Trump por incitar a multidão armada; já na versão atual, o protagonismo da culpa é transferido para Nancy Pelosi e para o ex-vice-presidente Mike Pence.
A revisão dos fatos também altera a percepção sobre as vítimas. Se o relatório original focava nos 140 policiais feridos e no ataque direto à democracia, o portal de 2026 elenca como “vítimas” os manifestantes que sofreram o que chama de perseguição judicial, ignorando as condenações por conspiração contra o Estado que marcaram o período Biden.
O perigo do apagamento da memória
Fontes jornalísticas como The Washington Post e Axios alertam que a criação deste site oficial é uma tentativa de “reescrever a história” sem apresentar novas evidências, apenas reutilizando retórica política com o selo do governo federal. Diante da ofensiva do governo Trump, a ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, emitiu uma nota oficial contundente reafirmando os fatos estabelecidos pela Justiça e pelo Congresso.
Pelosi classificou o novo portal da Casa Branca como uma “fantasia perigosa” e um desrespeito à Constituição.
“Nenhum site oficial ou perdão político pode apagar a violência que o mundo inteiro testemunhou ao vivo.
O Comitê Seleto estabeleceu, com provas exaustivas, que o único responsável pelo ataque à nossa democracia foi Donald Trump.
Culpar aqueles que foram alvos de sua turba violenta não é apenas uma mentira cínica; é um ataque contínuo contra a própria República que ele jurou proteger”,