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17 Mar

Venezuela: chave para distribuição de petróleo no Ocidente?

Com aumento de 4% na produção em fevereiro, Caracas volta a assumir protagonismo na geopolítica mundial

A ressalta a permanência do petróleo como fator estratégico da geopolítica e economia global. Por mais que diversos países da União Europeia e até os Estados Unidos tenham estabelecido metas de substituição de combustíveis fósseis para cumprir com a agenda 2030 da ONU, que inclui zerar as emissões de carbono, a dependência do petróleo deve permanecer por mais um século, apontam pesquisadores. 

Diante deste cenário, as sanções impostas à exportação de petróleo, gás e carvão da Rússia irão provocar a maior crise de abastecimento em décadas, indica a Agência Internacional de Energia (AIE). Cerca de 2,5 milhões de barris diários de exportações estão em risco, sendo 1,5 milhão de barris de petróleo bruto e 1 milhão de outros produtos e derivados.

A perspectiva de interrupções em larga escala na produção de petróleo russa está ameaçando criar um choque global de oferta de petróleo", afirma a AIE em

.Com a diminuição da oferta, o preço do barril do petróleo atingiu, na semana passada, o valor mais alto dos últimos 14 anos, superando US$ 130 por barril. Nesta semana, devido às novas restrições relacionadas a um novo surto da

— o maior importador de petróleo cru do mundo — o preço do barril caiu para US$ 99, no entanto ainda representa uma alta de 30% em comparação com 2021. Já a demanda total de 2022, fixada pela AIE, é de 99,7 milhões de barris por dia, um aumento de 2,1 milhões de barris em relação ao ano anterior.Para controlar os preços e atender a demanda interna, autoridades estadunidenses  

 Após enviar uma comitiva a Caracas, a administração de Joe Biden afirma que ainda não está em discussão a importação de petróleo venezuelano. "Não é algo que estamos conversando de forma ativa agora",, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.  

A Venezuela produz cerca de 788 mil barris diários, enquanto o Irã extrai 2,5 milhões de barris por dia, segundo o balanço de março da Organização do Estados Exportadores de Petróleo (OPEP). A produção venezuelana é exatamente a demanda estadunidense que ficou descoberta pela suspensão das importações de Moscou — cerca de 700 mil barris de petróleo super pesado.
Faixa do Rio Orinoco concentra maior parte das reservas de petróleo da Venezuela e, desde 2008, está aberta para investimento estrangeiro.  302,8 bilhões de barris. A Faixa do Orinoco, nos estados Guárico, Anzoátegui e Monagas, concentra a maior parte dessas reservas assim como outros minerais: ferro, diamante e ouro. Desde 2007, a área foi liberada pelo governo bolivariano para atividade de transnacionais.  

Além de empresas estadunidenses, como a Chevron, também estão a francesa Total, a norueguesa Equinor, a Oil India e a estatal russa Rosneft, com estrutura instalada no local.Em 2010, o então presidente venezuelano  com seu homólogo russo, Vladimir Putin, prevendo um investimento de US$ 1 bilhão no setor energético, e concedendo o direito de extração de petróleo cru no campo Junín 6 da Faixa do Orinoco, sendo 60% das ações da estatal venezuelana PDVSA e 40% da Rússia.Em 2017, a Rosneft inaugurou a  com a promessa de extrair 800 mil barris diários. 

Enquanto a PDVSA perdeu cerca de 60% da sua capacidade de produção nos últimos seis anos a infraestrutura das transnacionais permaneceu intacta.O embaixador russo em Caracas, Mélik-Bagdasárov, destacou que Moscou apoia a normalização das relações entre a Venezuela e os Estados Unidos. "Essa apromixamação que [os EUA] propõem para comprar petróleo é uma evidência que aprenderam que aqui há um governo constitucional",  o diplomata durante um programa de entrevistas com o ministro de Cultura venezuelano, Ernesto Villegas.


Apenas quatro dias depois da visita dos funcionários de Biden ao Palácio de Miraflores, a vice-presidenta Delcy Rodríguez e o chanceler Félix Plasencia se reuniram com o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, na Turquia, logo após a terceira rodada de negociação entre Rússia e Ucrânia."Conversamos sobre desenvolvimento dinâmico das relações bilaterais numa associação estratégica e reafirmamos nossa identidade sobre os problemas mundiais",

 Plasencia depois do encontro.Para alguns especialistas, com as novas sanções, a Venezuela poderia triangular produção de petróleo de empresas russas no território venezuelano. 

 A Chevron, que controlava quatro poços na Faixa do Orinoco, já sinalizou que com o relaxamento das sanções econômicas por parte de Washington, poderia voltar a produzir em solo venezuelano. Durante a 2ª Guerra Mundial, a Venezuela foi responsável por atender 65% da demanda de combustível dos Aliados (EUA, Reino Unido e França).

 Para o ex-assessor da PDVSA, Franco Vielma, hoje é impossível pensar que o país poderia cumprir o mesmo papel que no passado, mas nem por isso a Venezuela é menos importante no cenário global."No entanto, [a Venezuela] poderá ter um papel importante no transporte, despacho e armazenamento de certas matérias-primas estratégicas, já que tem o Mar do Caribe como um espaço de bifurcação", comenta Vielma. 

Uma vez que os principais canais de escoamento da produção fora do continente americano, como canal de Suez, o estreito de Gilbraltar, o canal de Bósforo, o mar Negro e o mar Báltico, estão comprometidos pela guerra, o mar do Caribe adquire maior importação para escoamento da produção.

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