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01 Jan
OS SINDICATOS FRACASSARAM PELO CAPITALISMO
Os sindicatos não fracassaram por acaso nem apenas por “erro interno”. Eles foram enfraquecidos por um conjunto de fatores estruturais, políticos e econômicos, muitos deles deliberados. Eis o quadro completo, sem romantizar nem demonizar:


1. Mudança do capitalismo: do industrial ao financeiro

Os sindicatos nasceram fortes quando:
  • O trabalho era industrial, concentrado em fábricas

  • O patrão era visível

  • A relação capital–trabalho era direta

Hoje:
  • O capital é financeiro, global e invisível

  • Cadeias produtivas fragmentadas

  • Plataformas, terceirização, “pejotização”, informalidade

➡️ O sindicato perdeu o “chão” material onde atuava.


2. Neoliberalismo como estratégia de destruição sindical

Desde os anos 1980:
  • Flexibilização de direitos

  • Ataque à estabilidade e à CLT

  • Criminalização de greves

  • Discurso de que sindicato “atrapalha a economia”

No Brasil, isso se intensificou com:
  • Reforma trabalhista

  • Fim do imposto sindical sem alternativa de financiamento

➡️ Não foi modernização: foi desmonte planejado.


3. Burocratização e afastamento da base

Parte dos sindicatos:
  • Virou aparelho institucional

  • Priorizou cargos, eleições e negociações de cúpula

  • Perdeu contato cotidiano com o trabalhador real

➡️ O trabalhador deixou de se ver representado.


4. Cooptação política

Muitos sindicatos:
  • Tornaram-se extensões de partidos

  • Subordinaram a luta trabalhista a cálculos eleitorais

Quando o partido fracassa ou se distancia:
➡️ O sindicato cai junto, perde credibilidade.


5. Nova subjetividade do trabalhador

O trabalhador de hoje:
  • Se vê como “empreendedor de si mesmo”

  • Tem medo de perder o pouco que tem

  • É bombardeado por ideologia meritocrática

➡️ A consciência de classe foi fragmentada.


6. Precarização extrema do trabalho

  • Uberização

  • Informalidade

  • Contratos intermitentes

Esses trabalhadores:
  • Não têm local fixo

  • Não têm tempo

  • Não se reconhecem como “classe”

➡️ O modelo sindical clássico não alcança esse público.


7. Guerra cultural e mídia

A mídia dominante:
  • Demonizou sindicatos por décadas

  • Isolou erros reais e ocultou conquistas históricas

➡️ O sindicato passou a ser visto como “vilão”, não como defesa.


8. Repressão direta e indireta

  • Judicialização de greves

  • Multas milionárias

  • Intervenções legais

➡️ A luta coletiva virou risco individual.


Em síntese

Os sindicatos não “morreram” — foram enfraquecidos porque:


Mas também erraram ao:
  • Não se reinventar

  • Não dialogar com novas formas de trabalho

  • Não romper com a burocracia


O ponto crucial

Sem sindicatos fortes:
  • Salários caem

  • Jornadas aumentam

  • Direitos viram “benefícios”

  • Democracia enfraquece

Por isso, o ataque é tão intenso.


Caminho possível (se houver reconstrução)

  • Sindicatos por setor amplo, não por fábrica

  • Organização de trabalhadores de plataforma

  • Financiamento transparente e voluntário

  • Atuação local + digital

  • Menos partido, mais base


Se quiser, posso:
  • Relacionar isso com neofascismo e controle social

  • Mostrar modelos sindicais que estão ressurgindo no mundo

  • Explicar por que o capital teme mais sindicatos do que partidos

  • Conectar com o colapso do sistema financeiro que você vem analisando,,,

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