whatsapp
05 Sep
05Sep

Sabemos que o Estado gerido por representantes da direita por séculos não só patrocinou o colonialismo, como justificou as diferentes formas de racismo.

 Normalmente, o direitista é racista, como o foi Adolf Hitler e seus partidários nazistas que justificaram o extermínio de judeus, comunistas e todos que se diziam de esquerda.

 Daí não esperarmos muito de quem se apresenta como tal. Não é incongruente quando um direitista desdenha dos povos quilombolas se referindo a eles como “pesando em arrobas”, como fizera o candidato do ódio. É horrendo, mas é um direitista se posicionando em coerência com a sua posição ideológica.

 A direita sustentou o colonialismo, não esqueçamos disso.Por outro lado, no primeiro governo de esquerda da história, entre 1793 e 1794 durante a Revolução Francesa, os montanheses (aqueles que se sentavam no alto e à esquerda do parlamento francês, daí seu nome) aboliram a escravidão nas colônias nas Américas, pressionados, é claro, pelos próprios negros que haviam tomado o poder no Haiti em uma das revoluções mais emblemáticas da história.

 Depois dos membros da esquerda serem guilhotinados pelos direitistas, que reassumiram o poder, a escravidão foi restituída.Desde o final de 2014, vários grupos de direita com forte atuação nas redes sociais têm defendido uma cultura conservadora, preconceituosa, intolerante contra as liberdades das comunidades LGBTQIAP+ e contra tudo que aponte para igualdade social, de direitos ou signifique de esquerda, socialista etc. Esse fenômeno do ativismo conservador agressivo produziu a vitória eleitoral do candidato do ódio e das armas.

 Seu governo acentuou uma política estabelecida no Brasil há mais de quinhentos anos caracterizada pelo desejo/simpatia de matar física e/ou psicologicamente (necrofilia) negros/indígenas (colonialista) e os que fogem da cultura cisheteronormativa, que não praticam as religiões judaico-cristãs, que desafiam os primados do militarismo e do igrejismo, que seja de esquerda, ou simplesmente não espelhe os seus preconceitos; resumindo, o outro (outrocídio). 

Assim, o conceito de necrofilia colonialista outrocida busca caracterizar as políticas postas em prática pelo governo das fake news que faz um malabarismo sustentado com menções à bíblia, mas curiosamente defensor da liberação das armas para matar o “outro”.

 A alusão a Jesus, que nunca defendeu o assassinato de ninguém, com a defesa do slogan: “bandido bom, é bandido morto”, caracteriza um verdadeiro charlatanismo teocrático, que, evidentemente, é racista.

As últimas pesquisas demonstram que cada vez mais as pessoas têm se reconhecido como negras, os movimentos étnicos têm crescido; as cotas nas universidades têm contribuído sobremaneira nesse autorreconhecimento, contudo, essa conjuntura ainda não se reverberou em relação às questões raciais. 

Os negros são maioria na sociedade brasileira e ocupam normalmente os piores empregos, as piores moradias e muitos são assassinados sem qualquer constrangimento nas favelas e periferias por forças policiais.Há mais de quinhentos anos, portugueses chegaram ao litoral das terras tupiniquins e declararam-se novos donos. 

Dava-se início ao colonialismo: um processo de subalternização de indígenas e de escravização de africanos com genocídios de suas etnias e epistemicídios de suas culturas e saberes. Passados 522 anos, ainda encontramos traços do colonialismo em todos os aspectos da sociedade brasileira, isto é, colonialidades, como: racismo, classismo, patriarcado, LGBTQIAP+fobia, ecologicídio e especismo. 

Como explicar a ausência desses temas no debate e nas entrevistas dos candidatos à presidência da República?As eleições presidenciais de 2022 são particularmente interessantes para analisarmos esses aspectos no país. Preparei um quadro comparativo para mensurá-los, associado com a orientação ideológica e o patrimônio dos candidatos. 

Objetivo correlacionar a exclusão de alguns pretendentes a chefe do Executivo da participação dos debates e a colaboração para o predomínio das ideias necrofílicas colonialistas outrocidas.

Comments
* The email will not be published on the website.